Terça-feira, 6 de Março de 2007

SOBRE O ATLÂNTICO-II

POR FAVOR, NO SEU INTERESSE, NÃO LEIA ESTE POST SEM LER PRIMEIRO O ANTERIOR:

                           SOBRE O ATÂNTICO - I

                                                           

CHEGADA A S.TOMÉ

Quando chegámos àquela ilha, foi constatado que um dos grupos de ocupantes dos camarotes reservados para 1º Classe não tinha confirmado o embarque. Logo, já sabíamos que iríamos ser transferidos para o aludido camarote, mal partíssemos de S. Tomé.  

                       

                                            Vista aérea de S. Tomé

                                                                

S.Tomé não tinha Porto. Logo, os navios não podiam acostar. Ficando o Paquete Quanza ao largo, os passageiros que pretendiam desembarcar para visitar a Cidade e arredores, tiveram que se fazer transportar em lanchas, que ali estavam para o efeito. Muitos passageiros não saíram pois tinham medo. O mar estava  infestado de tubarões. 

 

E, entre os passageiros que desembarcaram, encontrava-me eu e minha mulher. Já em terra firme, juntaram-se a nós dois simpáticos casais e o Capelão de Bordo, o Padre italiano Romano Bianqui.

Já em terra, a caminho do restaurante para o almoço, lembrámo-nos que havia um organismo em S. Tomé e Pincipe que estava dependente do CITA (de Angola). Era o CITSTP – organismo com as mesmas funções do que existia em Luanda.

            

               

                           Pormenores de S. Tomé

                                              

Lembrei-me então de telefonar ao Director do CITSTP, que não conhecendo pessoalmente, tinha tido diversos contactos através de telefonemas e de Ofícios. Disse-lhe que estava de passagem para Lisboa e que gostaria de lhe dar um abraço. Depois de saber onde íamos almoçar, disse que ia ter comigo. Informámo-lo que estávamos acompanhados por mais dois casais e com o Capelão de Bordo. Pouco tempo após esta nossa conversa telefónica, apareceu-me para me abraçar, ainda tomou café connosco e à despedida, disse: aqui está esta viatura com motorista para vos levar a conhecer uma parte da ilha – era uma viatura do Governo de S. Tomé e Príncipe.

Panorâmica de S. Tomé

              

    

                             Cacau e apanha do cacau

                                                   

Um Jeep, de lugares atrás laterais, bastante cómodo, com um motorista indígena, permitiu-nos viajar até S. João dos Angolares, onde visitámos duas Roças de Cacau e assistimos ao trabalho nelas realizados com a apanha e tratamento daquele produto tão apreciado.

Interior do Cacau

 

As senhoras do grupo, aproveitaram para comprar algumas peças confeccionadas em tartaruga, um dos animais que predominam na região.

Tirando um furo, que o motorista resolveu rapidamente, nada mais houve a assinalar. Pensámos: amanhã há mais e, com um até amanhã, despedimo-nos do jovem indígena que se desfazia em sorrisos.

 

 Noite de lua

    

Mas, os planos para o dia seguinte não foram cumpridos. Ao chegarmos a bordo, o Comandante informou-nos que, por estarem efectuados os carregamentos e descarregamentos, o Quanza partiria no dia seguinte, manhã cedo.

Quando soubemos que se confirmava a nossa transferência do camarote da 2ª. Classe para a 1ª. Classe, pretendemos proceder à mudança. Mas, até isso já tinha sido feito. O pessoal de bordo, por ordens do Comandante tinha posto no camarote de 1ª. Classe os nossos pertences.

Mais uma noite sossegada, e bem passada, com o convívio habitual e, logo de manhã, ao som do apitar estrondoso do Paquete Quanza, somos acordados e, em frente ao nosso camarote, assistimos ao afastamento do navio e da ilha. Começámos a ver o verde inebriante cada vez mais ao longe, até que se dissipou na totalidade aquela imagem que sempre nos deixa saudades quando a recordamos.

A partir desse momento, começou a verdadeira viagem de sonho na totalidade. Dias e noites passados, como autênticos noivos em viagem de núpcias.

Olhando o Oceano infinito, os pores de sol inesquecíveis, os luares inebriantes, os golfinhos que por vezes nos acompanhavam, os cardumes de peixes que nos brindavam, ou até o aparecimento de um ou mais tubarões aqui e além, faziam parte da vida a bordo.

                                                           

                              

 

LAS PALMAS

Passados alguns dias, o Quanza aportava em Las Palmas da Gran Canária. A maior parte dos passageiros desembarcaram para visitar a Cidade e para comprar “Recuerdos”

                                          

Puerto de Las Palmas

    

O Paquete Quanza esteve um dia naquele Porto espanhol. Foi uma experiência nova. Vendedores de todas as coisas, invadiram o cais e alguns entraram a bordo. Queriam vender relógios, rádios, isqueiros, tabaco americano, bebidas diversas e, outras pechinchas que eram muito apreciadas. Alguns passageiros, depois do navio partir, ao desembrulharem o que admitiam ter comprado, verificavam que o que tinham era totalmente diferente do que pretendiam. Tinham sido ludibriados.

 Duas panorâmicas de Las Palmas

                               

Quando o Quanza partiu, faltavam quatro passageiros. Viemos mais tarde a saber que se tinham perdido em Las Palmas e que o seu regresso a Lisboa, se tinha efectuado pela Companhia Aérea Ibéria.

Os dias foram passando e a vida a bordo, apesar de rotineira, tinha muitas variantes. No entanto, a hora da chegada aproximava-se e a ansiedade crescia dentro de nós. A simpatia com que éramos distinguidos por toda a tripulação, não nos permitia ter horas de tédio. Desde o serviço de restaurante e de camarote, passando pelo bar e salões, as atenções eram extraordinárias. Por trás deste gesto da parte de todos, havia o “dedo” do Comandante.

                          

                                                Ilha da Madeira

                                                            

Na Ilha da Madeira, passamos ao Largo e tivemos que nos recorrer de uns binóculos para ver a sua sombra sobre o Oceano Atlântico. E, curioso, foi entre o Mar da Madeira e o Mar do Continente que uma grande parte dos passageiros enjoou. Nós, por sorte, passamos bem – estávamos a descansar no camarote.

Chegou então a hora de avistarmos Lisboa.

 

Farol do Bugio

 

Quando chegámos ao Farol do Bugio, à entrada da Barra, deparámo-nos com uma panorâmica espectacular do Estuário do Tejo. E, milha a milha, Tejo acima, vimos a Cidade a aproximar-se, como que encantada, começando pela Torre de Belém, o Monumento das Descobertas, e, mais além... a Ponte Salazar (hoje Ponte 25 de Abril).

 

Torre de Belém

                                    

Monumento aos Descobrimentos

Ponte 25 de Abril

                                            

O Paquete Quanza entrou então na Doca de Alcântara e, aí, começaram as

 despedidas, os abraços e beijos, – os agradecimentos. 

                                                 

                                                                  

   Doca de Alcântara

                  

                                                                                  

Para compensar o desânimo da separação do Comandante, comissários e demais membros da tripulação não esquecendo o Capelão, bem como de companheiros de viagem, tínhamos à nossa espera os nossos familiares que nos receberam com grande alegria.

                                        

                                                         

Foi o fim de uma “Viagem de Lua-de-mel” – Os noivos chagavam a Lisboa.

                       

sinto-me: ALEGRE
música: Deslizando sobre as ondas
publicado por PIQUITÁ às 00:44
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