Terça-feira, 6 de Março de 2007

SOBRE O ATLÂNTICO-II

POR FAVOR, NO SEU INTERESSE, NÃO LEIA ESTE POST SEM LER PRIMEIRO O ANTERIOR:

                           SOBRE O ATÂNTICO - I

                                                           

CHEGADA A S.TOMÉ

Quando chegámos àquela ilha, foi constatado que um dos grupos de ocupantes dos camarotes reservados para 1º Classe não tinha confirmado o embarque. Logo, já sabíamos que iríamos ser transferidos para o aludido camarote, mal partíssemos de S. Tomé.  

                       

                                            Vista aérea de S. Tomé

                                                                

S.Tomé não tinha Porto. Logo, os navios não podiam acostar. Ficando o Paquete Quanza ao largo, os passageiros que pretendiam desembarcar para visitar a Cidade e arredores, tiveram que se fazer transportar em lanchas, que ali estavam para o efeito. Muitos passageiros não saíram pois tinham medo. O mar estava  infestado de tubarões. 

 

E, entre os passageiros que desembarcaram, encontrava-me eu e minha mulher. Já em terra firme, juntaram-se a nós dois simpáticos casais e o Capelão de Bordo, o Padre italiano Romano Bianqui.

Já em terra, a caminho do restaurante para o almoço, lembrámo-nos que havia um organismo em S. Tomé e Pincipe que estava dependente do CITA (de Angola). Era o CITSTP – organismo com as mesmas funções do que existia em Luanda.

            

               

                           Pormenores de S. Tomé

                                              

Lembrei-me então de telefonar ao Director do CITSTP, que não conhecendo pessoalmente, tinha tido diversos contactos através de telefonemas e de Ofícios. Disse-lhe que estava de passagem para Lisboa e que gostaria de lhe dar um abraço. Depois de saber onde íamos almoçar, disse que ia ter comigo. Informámo-lo que estávamos acompanhados por mais dois casais e com o Capelão de Bordo. Pouco tempo após esta nossa conversa telefónica, apareceu-me para me abraçar, ainda tomou café connosco e à despedida, disse: aqui está esta viatura com motorista para vos levar a conhecer uma parte da ilha – era uma viatura do Governo de S. Tomé e Príncipe.

Panorâmica de S. Tomé

              

    

                             Cacau e apanha do cacau

                                                   

Um Jeep, de lugares atrás laterais, bastante cómodo, com um motorista indígena, permitiu-nos viajar até S. João dos Angolares, onde visitámos duas Roças de Cacau e assistimos ao trabalho nelas realizados com a apanha e tratamento daquele produto tão apreciado.

Interior do Cacau

 

As senhoras do grupo, aproveitaram para comprar algumas peças confeccionadas em tartaruga, um dos animais que predominam na região.

Tirando um furo, que o motorista resolveu rapidamente, nada mais houve a assinalar. Pensámos: amanhã há mais e, com um até amanhã, despedimo-nos do jovem indígena que se desfazia em sorrisos.

 

 Noite de lua

    

Mas, os planos para o dia seguinte não foram cumpridos. Ao chegarmos a bordo, o Comandante informou-nos que, por estarem efectuados os carregamentos e descarregamentos, o Quanza partiria no dia seguinte, manhã cedo.

Quando soubemos que se confirmava a nossa transferência do camarote da 2ª. Classe para a 1ª. Classe, pretendemos proceder à mudança. Mas, até isso já tinha sido feito. O pessoal de bordo, por ordens do Comandante tinha posto no camarote de 1ª. Classe os nossos pertences.

Mais uma noite sossegada, e bem passada, com o convívio habitual e, logo de manhã, ao som do apitar estrondoso do Paquete Quanza, somos acordados e, em frente ao nosso camarote, assistimos ao afastamento do navio e da ilha. Começámos a ver o verde inebriante cada vez mais ao longe, até que se dissipou na totalidade aquela imagem que sempre nos deixa saudades quando a recordamos.

A partir desse momento, começou a verdadeira viagem de sonho na totalidade. Dias e noites passados, como autênticos noivos em viagem de núpcias.

Olhando o Oceano infinito, os pores de sol inesquecíveis, os luares inebriantes, os golfinhos que por vezes nos acompanhavam, os cardumes de peixes que nos brindavam, ou até o aparecimento de um ou mais tubarões aqui e além, faziam parte da vida a bordo.

                                                           

                              

 

LAS PALMAS

Passados alguns dias, o Quanza aportava em Las Palmas da Gran Canária. A maior parte dos passageiros desembarcaram para visitar a Cidade e para comprar “Recuerdos”

                                          

Puerto de Las Palmas

    

O Paquete Quanza esteve um dia naquele Porto espanhol. Foi uma experiência nova. Vendedores de todas as coisas, invadiram o cais e alguns entraram a bordo. Queriam vender relógios, rádios, isqueiros, tabaco americano, bebidas diversas e, outras pechinchas que eram muito apreciadas. Alguns passageiros, depois do navio partir, ao desembrulharem o que admitiam ter comprado, verificavam que o que tinham era totalmente diferente do que pretendiam. Tinham sido ludibriados.

 Duas panorâmicas de Las Palmas

                               

Quando o Quanza partiu, faltavam quatro passageiros. Viemos mais tarde a saber que se tinham perdido em Las Palmas e que o seu regresso a Lisboa, se tinha efectuado pela Companhia Aérea Ibéria.

Os dias foram passando e a vida a bordo, apesar de rotineira, tinha muitas variantes. No entanto, a hora da chegada aproximava-se e a ansiedade crescia dentro de nós. A simpatia com que éramos distinguidos por toda a tripulação, não nos permitia ter horas de tédio. Desde o serviço de restaurante e de camarote, passando pelo bar e salões, as atenções eram extraordinárias. Por trás deste gesto da parte de todos, havia o “dedo” do Comandante.

                          

                                                Ilha da Madeira

                                                            

Na Ilha da Madeira, passamos ao Largo e tivemos que nos recorrer de uns binóculos para ver a sua sombra sobre o Oceano Atlântico. E, curioso, foi entre o Mar da Madeira e o Mar do Continente que uma grande parte dos passageiros enjoou. Nós, por sorte, passamos bem – estávamos a descansar no camarote.

Chegou então a hora de avistarmos Lisboa.

 

Farol do Bugio

 

Quando chegámos ao Farol do Bugio, à entrada da Barra, deparámo-nos com uma panorâmica espectacular do Estuário do Tejo. E, milha a milha, Tejo acima, vimos a Cidade a aproximar-se, como que encantada, começando pela Torre de Belém, o Monumento das Descobertas, e, mais além... a Ponte Salazar (hoje Ponte 25 de Abril).

 

Torre de Belém

                                    

Monumento aos Descobrimentos

Ponte 25 de Abril

                                            

O Paquete Quanza entrou então na Doca de Alcântara e, aí, começaram as

 despedidas, os abraços e beijos, – os agradecimentos. 

                                                 

                                                                  

   Doca de Alcântara

                  

                                                                                  

Para compensar o desânimo da separação do Comandante, comissários e demais membros da tripulação não esquecendo o Capelão, bem como de companheiros de viagem, tínhamos à nossa espera os nossos familiares que nos receberam com grande alegria.

                                        

                                                         

Foi o fim de uma “Viagem de Lua-de-mel” – Os noivos chagavam a Lisboa.

                       

sinto-me: ALEGRE
música: Deslizando sobre as ondas
publicado por PIQUITÁ às 00:44
link do post | comentar | favorito

SOBRE O ATLÂNTICO- I

                                                      

                                         

           

    

          

                                                           

    

                   

                                 Luanda - Baía e Avenida Marginal

                                                           

Casado a 13 de Novembro de 1966 e, tendo ficado em Luanda, seria suposto que, após cinco anos de permanência em Angola, primeiro para cumprir uma Comissão de Serviço na Força Aérea Portuguesa, e, depois, para exercer funções profissionais, de acordo com compromissos assumidos com três organizações: uma portuguesa, outra francesa e, ainda, uma americana.

Em princípio, admitíamos que tudo iria correr bem.

Mas o destino assim não quis. E, inesperadamente, comecei a sentir um certo mal-estar e a língua, tanto aparecia amarelada, como esverdeada.

Preocupados, eu e minha mulher, procurámos através de todos os meios clínicos a resolução do problema. Mas, os médicos não conseguiram diagnosticar, e as preocupações aumentavam dia a dia. Na consulta de um terceiro médico, e em conversa amena, o clínico perguntou-me se durante aqueles cinco anos de permanência em Angola, não tinha sido acometido por alguma doença que fosse comum apanhar em África. Efectivamente, quando ainda ao serviço das Forças Armadas Portuguesas tinha estado internado na Enfermaria da Base Aérea Nº 9 em Luanda com uma hepatite.

E, depois dessa situação, tinha viajado para Cabinda e, mais tarde, tinha percorrido toda aquela ex. Província portuguesa.

Reunidos os três médicos, consideraram que o meu problema estava relacionado com o regime alimentar e aconselharam-me a passar um período de férias na Metrópole. Com esta notícia, tanto eu como minha mulher ficámos num dilema.

Estávamos em princípio de vida e eu, trabalhador abnegado exercia três actividades: no CITA (Centro de Informação e Turismo de Angola); na Casa Americana Comercial e no Consulado Geral de França, no cumprimento dum horário devastador, mas as responsabilidades que tinha assumido com o casamento impunham-me uma remuneração económica que nos permitisse viver desafogadamente.

Entrava na C.A.C. pelas 08h00 e saía pelas 17h00, tendo uma hora de intervalo para o almoço. De seguida ia para o CITA, onde exercia a minha actividade até às 20h00, altura em que ia jantar. Terminava o meu dia no C.G.F., tantas vezes até de madrugada.

Esta situação deixou-nos a pensar sobre o que havíamos de fazer. Nada nos garantia que, após passadas as férias preconizadas pelos médicos no Continente, ao regressarmos a Angola, não voltaria a sofrer da mesma enfermidade

Ponderados os Prós e os Contras, e como os pais de ambos se encontravam em Lisboa, optámos por regressar a Portugal Continental e ver a hipótese duma colocação compatível com as minhas competências. Como estava nos quadros do CITA, lembrei-me de escrever uma carta para Lisboa, para a Presidência do Conselho de Ministros e solicitar que me informassem da possibilidade de ser transferido para um organismo similar na Capital. Passados dois meses, recebi um oficio assinado pelo Chefe de Gabinete do então Presidente do Conselho de Ministros com a informação de que “Sua Excelência o Senhor Presidente do Conselho deferiu o pedido de Vexa, dando conhecimento desta deliberação ao SNI (Secretariado Nacional de Informação)”.

Com metade do problema resolvido, iniciámos a missão: desmantelamento do recheio e, o que nos havia custado uma pequena fortuna ao montarmos casa, foi vendido ao desbarato, já que o meu estado de saúde obrigava a regressar rapidamente. Mobílias, electrodomésticos e outros bens, foram desaparecendo e a pouco e pouco, a nossa vivenda ficou vazia. A solução final foi instalarmo-nos num hotel de Luanda até ao momento do embarque.

O DRAMA DA VIAGEM

Porque todas as viagens entre Lisboa e Luanda e vice-versa tinham sido feitas de avião, desconhecia como se tratavam as viagens em navio.

Ao contrário, a minha mulher tinha viajado sempre por via marítima por ter medo de que o avião onde viajasse pudesse cair. E, por isso, tínhamos que nos socorrer duma viagem num dos paquetes que faziam o percurso entre Angola e Lisboa.

                                     

                                                    

Dirigi-me às Companhias Nacional de Navegação e Colonial de Navegação. Tudo parecia fácil, mas as respostas que nos foram dadas deixaram-nos perplexo: navios? Só daqui a um mês ou dois.

Estávamos em princípios de Maio e as despesas no Hotel estavam a tornar-se insuportáveis.

Mas aparece sempre uma alma caridosa quando estamos aflitos, mesmo que essa caridade seja em benefício dela própria. E, quando menos espero, aparece-me um senhor cheio de boa vontade que, ao ver a minha insistência no embarque, perguntou-me: não quer ir em Classe Suplementar?

Essa gentileza foi bem paga.               

  

 Porto de Luanda

 

               

Mal sabia eu o que era Classe Suplementar! Mas passados 15 dias fiquei a saber…Oh se fiquei. Foi no dia de embarque, depois de despachar a bagagem, quando entrámos no Paquete Quanza (que empreendia a sua ultima viagem de carreira).

Recebidos pelo pessoal de bordo, ficámos surpreendidos quando nos indicaram o local onde nos iríamos instalar. Cada um para uma camarata diferente. Eu para a dos homens, a minha mulher para a destinada a passageiros do sexo feminino. Depois de desolados com a situação, enfrentando um cheiro nauseabundo, mais uma calamidade se aproximava – o refeitório. Não só pelo aspecto e falta de condições, como a comida era intragável. Alimentávamos somente com o pequeno-almoço e às demais refeições, comíamos pão e fruta e bebíamos água.

                             

                                                Paquete Quanza

                                                              

Deambulamos durante dois dias nestas condições, parecendo os emigrantes italianos que embarcavam com destino ao Brasil ou aos EUA. Fizemos, durante aquele período, vida de miseráveis.

Até que, ao terceiro dia se fez Luz. Encontrava-me no Deque da Suplementar, quando me apareceu o Primeiro Comissário de Bordo. Dirigindo-nos a palavra disse: O senhor venha comigo por favor ao Camarote do Senhor Comandante. Interrogámo-nos sobre o motivo que ocasionaria este pedido. E, lá fomos.

O pior já nos estava a acontecer, seria muito má sorte se a situação se agravasse.

                                                                                    Detalhe interior do Navio

           

Fomos recebidos por uma pessoa que transpirava bondade e logo pensámos que o seu semblante sorridente não nos iria transmitir nada de mal. Começou por nos dizer que estava ao corrente das nossas refeições e do incómodo que nos estava a causar a forma como dormíamos. Contamos o que se tinha passado na tentativa de arranjarmos as passagens e, pelo desconhecimento, tínhamos sido vítimas de um logro. Tirando de uma pasta a nossa ficha de passageiro, com os dados que tínhamos dado quando nos inscrevemos ao balcão da CNN, disse: Pois com este curriculum, logo vi que alguma coisa de anormal se passou para que o meu amigo e sua esposa viajassem em Suplementar. Por tal motivo, chamei-o para lhe dizer que, a partir de agora, vai melhorar a sua estadia a bordo. Alegando mais: vão passar a usufruir de refeições em primeira classe e, imediatamente vão ser transferidos para um camarote de 2ª. Classe. E, quando chegarmos a S. Tomé e Príncipe, veremos se os três camarotes reservados para passageiros daquela colónia não se completam. Se houver alguma desistência, passarão a dormir em primeira classe.

Ficámos surpreendidos ao mesmo tempo que uma enorme alegria nos deu um novo ser, uma alma bem mais confortada. 

 

  O Oceano, esse mar azul

                

A viagem começou a ser diferente. A comer em 1ª. Classe, muitas vezes à mesa do Comandante, a dormirmos num camarote sós e à vontade, continuámos a viagem, mas, há sempre um mas… o Comandante anunciou aos passageiros daquela Classe que éramos um jovem casal de noivos. Foi uma gentileza que se tornou cansativa. Não havia festa ou acontecimento a bordo que não estivéssemos presentes. Os nossos amigos (de fresca data), achando graça à nossa condição de noivos, batiam-nos à porta do camarote com o objectivo de os acompanhar e assistirmos a todos os eventos… até às sessões de cinema.

 

 

sinto-me: deslizando
música: Ondulando
publicado por PIQUITÁ às 00:41
link do post | comentar | favorito

RECORDANDO...

                                    

                           

          INESPERADA CAÇADA EM CORDOBA

                                       

     Reporto-me a 1974 – Novembro – Lugo – Galiza – Espanha

      

 

Desenvolvia-mos a nossa actividade de Director de Información Y Turismo, encontrando-nos na capital Lucence, donde guardamos gratas recordações.

Certo dia, quando nos encontrávamos na Gestoria de nosso amigo Alfredo Mosteirin, foi-nos apresentado um jovem advogado, o Jesus, que, após harmoniosa conversa convidou-nos amavelmente, para irmos assistir a uma Caçaria a Córdoba. Jesus era um dos organizadores destas caçadas a veados e javalis na região Andaluza.

Seria a primeira vez que nos era grato estar presente em acto tão invulgar.

Por isso,  convite aceite,  deslocámo-nos a Cordoba, depois de termos passado por Lisboa para irmos buscar a nossa mulher, também ela convidada.

Em Cordoba, a Caçada tinha lugar a 16 e 17 de Novembro daquele ano As duas Monterias realizaram-se em coutos de Caça diferentes. No primeiro dia, aconteceu na Mancha de Bayón, Aljabara de Cárdenas e no segundo, na Aljabara de Spínola.

Na Sexta-feira, dia 15, chegámos a Córdoba pelas 21 horas, muito cansados da viagem que havíamos empreendido desde Lisboa. Chegados ao Hotel ElCordobes,                                                                      

onde nos tinham reservado quarto, mais nos apetecia ir dormir, prescindindo das cerimónias dessa noite. Mas, já andavam membros da organização atentos à nossa chegada e não nos deixaram satisfazer os nossos desejos.

É que nessa mesma noite, seria servido um Vinho espanhol (idêntico ao nosso pôr de sol) e, durante o qual, seriam sorteados os Postos aos monteros (caçadores).

E, em cumprimento do protocolo, eis-nos a entrar no majestoso Restaurante Caballo Rojo     e a integrar-nos no seio de mais de trezentas pessoas, caçadores e famílias. Enquanto se comia e bebia aquele excelente repasto, deu-se início ao sorteio e, chamados um a um, cada caçador ficou a saber qual o lugar a ocupar nos dois dias de caça. E, a voz do sorteador, ia-se ouvindo chamar o senhor Don x ou a senhora Dona Y. Até que, um nome mais sonante é chamado, o de uma simpática senhora que estava a nosso lado e que respondeu à chamada dizendo: Estoy aqui... era Sua Alteza Real a Infanta de Espanha, Princesa Alicia de Bourbon, irmã do Conde de Barcelona e, portanto, tia do Príncipe Juan Carlos, actualmente Rey de España.

Além de Sua Alteza Real, e dos 150 monteros e suas famílias, destacavam-se ainda muitos nobres de Espanha e a mais alta sociedade daquele País, além de alguns estrangeiros, idos propositadamente de seus países. Soubemos no último dia que entre todos os presentes se encontrava um caçador português, o qual não conseguimos contactar por ser demasiado tarde.

PRINCESA SEM COMPLEXOS 

Mas, voltando ao Vinho Espanhol e ao sorteio, saliente-se que a ementa era composta de frios, queijos, presuntos, tostas e bons vinhos. A nosso lado, a Infanta de Espanha começou a dialogar connosco, como se já nos conhecêssemos há longa data. Entretanto, um dos empregados do restaurante (que já conhecia a Infanta de outras cerimónias), aproximou-se junto de nossa mesa e perguntou: Usted quier un filete con patatas? (bife de veado com batatas fritas), ao que Alicia de Bourbon disse que sim e, virando-se para mim, perguntou-me: También lo quieres? Realmente, para quem estava cansado e com vontade de dormir, ter que se alimentar só de frios e tostas, não era muito agradável. Vieram os dois bifes que estavam deliciosos e, enquanto comíamos, estreitámos a nossa relação. É que a Princesa não tinha complexos. Portou-se como uma pessoa normal e como não tivesse títulos.

São assim as pessoas bem formadas, assim devemos ser todos.

                                                                                     

NO TERRENO ACTUANDO

Porque a nossa missão era destinada a uma caçada documental, propusemos fazer um trabalho completo, divulgador de todos os acontecimentos. E, como nossa mulher tinha ficado em Córdoba para ir comprar lembranças e para ir ao cabeleireiro, resolvemos penetrar no terreno conjuntamente com perreiros e perros.  

Na Aljabara de Cárdenas, depois de um excelente e suculento pequeno-almoço, foi-nos distribuído um Taco (lanche para o monte). Deu-se a saída das Armadas (Grupos de caçadores distribuídos por diversas zonas) às 12 horas. Algo de muito especial nos foi grato assistir. Com máquina de filmar, máquina fotográfica, e o desejado Taco, não foi difícil percorrer a pé um total de cinco quilómetros dos onze da jornada. Acompanhado por perreiros e por cerca de 70 cães dos perto de mil que faziam parte das caçarias, lá fomos, entre vales, subindo e descendo as colinas da Aljabara. Foi então que, com o entusiasmo que tinhamos em filmar e fotografar, pousamos o saco do Taco no chão, não nos apercebendo que um dos cães mais esfomeados nos tinha lavado a pouca, mas necessária refeição do monte.

Cansados e desolados, acabámos por perder forças e deixámos os perreiros seguir o seu destino com os seus animais afugentadores da caça. Então, por sorte, deparamo-nos com dois pastores que  apascentavam seus rebanhos e encontravam-se a deliciar com um lanche soberbo, lanche esse que nos fez crescer água na boca. Trocámos algumas palavras e, apesar do andaluz ser um castelhano com mistura de árabe, lá perceberam o que me tinha acontecido e, abertamente, começaram a oferecer-me tudo o que tinham, deste tortilha, empanada, pão de aldeia, chouriço, presunto e queijo.         

Foi um excelente lanche e dali só saí quando as viaturas da organização tinham ido buscar os caçadores e aproveitaram para dar boleia a este caçador… caçado!

Chegados à cozinha dos caçadores, mediram-se os chifres dos veados e os dentes dos javalis, para classificação final. E, após esta cerimónia, foi servido um jantar composto de carne da caça apanhada naquele dia.

Entretanto, minha mulher quando chegou à Aljabara, encontrou-me a dormir dentro de meu carro,,, mais morto que vivo.

Regressamos ao hotel para um sono reparador, depois de um super banho.

No dia seguinte de manhã, foi com grande dificuldade que nos levantámos. Mas, lá estavam os nossos amigos da Organização a bater à porta e a telefonarem da recepção. Está na hora. E lá fomos até à Aljabara de Spínola, para cumprimento do mesmo ritual da véspera.

. Conhecemos então o Senhor Spínola e, curiosamente, ficamos a saber que este proprietário da Aljabara era primo direito do General António de Spínola, contando-nos que as famílias espanhola e portuguesa, eram oriundas de Itália, tendo uma parte ficado a viver na região Andaluza e a outra no Alentejo. Cumpridos os preceitos da véspera, e como minha mulher estava comigo, optámos por ir de boleia em viatura dos caçadores para o cimo de uma colina donde se deslumbrava uma panorâmica que abrangia uma vasta área e, daí, se possível, recolhíamos imagens para documentar a nossa reportagem.

Entre as duas Aljabaras, pouca diferença houve. Como o sorteio tinha acontecido no dia 15, todos já tinham a noção das suas localizações e, como na véspera, lá comemos o tal pequeno-almoço e, com o Taco na mão, lá fomos para o nosso destino. Mas, desta vez longe dos cães...não fosse aparecer outro esfomeado.

E, ao longe, iam aparecendo perreiros com seus gritos estridentes e cornetas, conduzindo os perros para o inevitável cerco à caça, assustando-a e obrigando-a a correr para junto dos caçadores que faziam o gosto ao dedo.

Ficámos em Cordoba mais um dia. Impunha-se uma visita à parte monumental, particularmente à histórica Mesquita.

             Exterior da Mesquita                                

        Interior da Mesquita

Terminada a nossa presença naquela capital de Província, e antes de regressarmos ao Lugo, passamos uma vez mais por Lisboa, para deixar nossa mulher e matarmos saudades do nosso filho.

OBSERVAÇÕES

Julgo que este acontecimento de que fui protagonista pouco interessará aos meus amigos bloguistas do " ", mas como grande parte deles me pediram com tanta insistência para que escreve-se mais um Post, atrevo-me a apresentar um tema que me é querido e que, sinceramente, gostaria de ver partilhado ao vivo por todos.

Se foi incómodo, creiam que não escrevi este artigo para vos incomodar.

                                                                     

                                                              

sinto-me: A BAILAR
música: fLAMENCO
publicado por PIQUITÁ às 00:31
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. BOA NOITE A TODOS OS AMIG...

. ESPERO QUE ME PERDOEM...

. ESTEJAM ACTUALIZADOS

. SOBRE O ATLÂNTICO-II

. SOBRE O ATLÂNTICO- I

. RECORDANDO...

.arquivos

. Março 2007

.favorito

. Céu, terra e água

. A bater o dente

. RECORDANDO...

. SOBRE O ATLÂNTICO-II

. SOBRE O ATLÂNTICO- I

blogs SAPO

.subscrever feeds