Terça-feira, 6 de Março de 2007

RECORDANDO...

                                    

                           

          INESPERADA CAÇADA EM CORDOBA

                                       

     Reporto-me a 1974 – Novembro – Lugo – Galiza – Espanha

      

 

Desenvolvia-mos a nossa actividade de Director de Información Y Turismo, encontrando-nos na capital Lucence, donde guardamos gratas recordações.

Certo dia, quando nos encontrávamos na Gestoria de nosso amigo Alfredo Mosteirin, foi-nos apresentado um jovem advogado, o Jesus, que, após harmoniosa conversa convidou-nos amavelmente, para irmos assistir a uma Caçaria a Córdoba. Jesus era um dos organizadores destas caçadas a veados e javalis na região Andaluza.

Seria a primeira vez que nos era grato estar presente em acto tão invulgar.

Por isso,  convite aceite,  deslocámo-nos a Cordoba, depois de termos passado por Lisboa para irmos buscar a nossa mulher, também ela convidada.

Em Cordoba, a Caçada tinha lugar a 16 e 17 de Novembro daquele ano As duas Monterias realizaram-se em coutos de Caça diferentes. No primeiro dia, aconteceu na Mancha de Bayón, Aljabara de Cárdenas e no segundo, na Aljabara de Spínola.

Na Sexta-feira, dia 15, chegámos a Córdoba pelas 21 horas, muito cansados da viagem que havíamos empreendido desde Lisboa. Chegados ao Hotel ElCordobes,                                                                      

onde nos tinham reservado quarto, mais nos apetecia ir dormir, prescindindo das cerimónias dessa noite. Mas, já andavam membros da organização atentos à nossa chegada e não nos deixaram satisfazer os nossos desejos.

É que nessa mesma noite, seria servido um Vinho espanhol (idêntico ao nosso pôr de sol) e, durante o qual, seriam sorteados os Postos aos monteros (caçadores).

E, em cumprimento do protocolo, eis-nos a entrar no majestoso Restaurante Caballo Rojo     e a integrar-nos no seio de mais de trezentas pessoas, caçadores e famílias. Enquanto se comia e bebia aquele excelente repasto, deu-se início ao sorteio e, chamados um a um, cada caçador ficou a saber qual o lugar a ocupar nos dois dias de caça. E, a voz do sorteador, ia-se ouvindo chamar o senhor Don x ou a senhora Dona Y. Até que, um nome mais sonante é chamado, o de uma simpática senhora que estava a nosso lado e que respondeu à chamada dizendo: Estoy aqui... era Sua Alteza Real a Infanta de Espanha, Princesa Alicia de Bourbon, irmã do Conde de Barcelona e, portanto, tia do Príncipe Juan Carlos, actualmente Rey de España.

Além de Sua Alteza Real, e dos 150 monteros e suas famílias, destacavam-se ainda muitos nobres de Espanha e a mais alta sociedade daquele País, além de alguns estrangeiros, idos propositadamente de seus países. Soubemos no último dia que entre todos os presentes se encontrava um caçador português, o qual não conseguimos contactar por ser demasiado tarde.

PRINCESA SEM COMPLEXOS 

Mas, voltando ao Vinho Espanhol e ao sorteio, saliente-se que a ementa era composta de frios, queijos, presuntos, tostas e bons vinhos. A nosso lado, a Infanta de Espanha começou a dialogar connosco, como se já nos conhecêssemos há longa data. Entretanto, um dos empregados do restaurante (que já conhecia a Infanta de outras cerimónias), aproximou-se junto de nossa mesa e perguntou: Usted quier un filete con patatas? (bife de veado com batatas fritas), ao que Alicia de Bourbon disse que sim e, virando-se para mim, perguntou-me: También lo quieres? Realmente, para quem estava cansado e com vontade de dormir, ter que se alimentar só de frios e tostas, não era muito agradável. Vieram os dois bifes que estavam deliciosos e, enquanto comíamos, estreitámos a nossa relação. É que a Princesa não tinha complexos. Portou-se como uma pessoa normal e como não tivesse títulos.

São assim as pessoas bem formadas, assim devemos ser todos.

                                                                                     

NO TERRENO ACTUANDO

Porque a nossa missão era destinada a uma caçada documental, propusemos fazer um trabalho completo, divulgador de todos os acontecimentos. E, como nossa mulher tinha ficado em Córdoba para ir comprar lembranças e para ir ao cabeleireiro, resolvemos penetrar no terreno conjuntamente com perreiros e perros.  

Na Aljabara de Cárdenas, depois de um excelente e suculento pequeno-almoço, foi-nos distribuído um Taco (lanche para o monte). Deu-se a saída das Armadas (Grupos de caçadores distribuídos por diversas zonas) às 12 horas. Algo de muito especial nos foi grato assistir. Com máquina de filmar, máquina fotográfica, e o desejado Taco, não foi difícil percorrer a pé um total de cinco quilómetros dos onze da jornada. Acompanhado por perreiros e por cerca de 70 cães dos perto de mil que faziam parte das caçarias, lá fomos, entre vales, subindo e descendo as colinas da Aljabara. Foi então que, com o entusiasmo que tinhamos em filmar e fotografar, pousamos o saco do Taco no chão, não nos apercebendo que um dos cães mais esfomeados nos tinha lavado a pouca, mas necessária refeição do monte.

Cansados e desolados, acabámos por perder forças e deixámos os perreiros seguir o seu destino com os seus animais afugentadores da caça. Então, por sorte, deparamo-nos com dois pastores que  apascentavam seus rebanhos e encontravam-se a deliciar com um lanche soberbo, lanche esse que nos fez crescer água na boca. Trocámos algumas palavras e, apesar do andaluz ser um castelhano com mistura de árabe, lá perceberam o que me tinha acontecido e, abertamente, começaram a oferecer-me tudo o que tinham, deste tortilha, empanada, pão de aldeia, chouriço, presunto e queijo.         

Foi um excelente lanche e dali só saí quando as viaturas da organização tinham ido buscar os caçadores e aproveitaram para dar boleia a este caçador… caçado!

Chegados à cozinha dos caçadores, mediram-se os chifres dos veados e os dentes dos javalis, para classificação final. E, após esta cerimónia, foi servido um jantar composto de carne da caça apanhada naquele dia.

Entretanto, minha mulher quando chegou à Aljabara, encontrou-me a dormir dentro de meu carro,,, mais morto que vivo.

Regressamos ao hotel para um sono reparador, depois de um super banho.

No dia seguinte de manhã, foi com grande dificuldade que nos levantámos. Mas, lá estavam os nossos amigos da Organização a bater à porta e a telefonarem da recepção. Está na hora. E lá fomos até à Aljabara de Spínola, para cumprimento do mesmo ritual da véspera.

. Conhecemos então o Senhor Spínola e, curiosamente, ficamos a saber que este proprietário da Aljabara era primo direito do General António de Spínola, contando-nos que as famílias espanhola e portuguesa, eram oriundas de Itália, tendo uma parte ficado a viver na região Andaluza e a outra no Alentejo. Cumpridos os preceitos da véspera, e como minha mulher estava comigo, optámos por ir de boleia em viatura dos caçadores para o cimo de uma colina donde se deslumbrava uma panorâmica que abrangia uma vasta área e, daí, se possível, recolhíamos imagens para documentar a nossa reportagem.

Entre as duas Aljabaras, pouca diferença houve. Como o sorteio tinha acontecido no dia 15, todos já tinham a noção das suas localizações e, como na véspera, lá comemos o tal pequeno-almoço e, com o Taco na mão, lá fomos para o nosso destino. Mas, desta vez longe dos cães...não fosse aparecer outro esfomeado.

E, ao longe, iam aparecendo perreiros com seus gritos estridentes e cornetas, conduzindo os perros para o inevitável cerco à caça, assustando-a e obrigando-a a correr para junto dos caçadores que faziam o gosto ao dedo.

Ficámos em Cordoba mais um dia. Impunha-se uma visita à parte monumental, particularmente à histórica Mesquita.

             Exterior da Mesquita                                

        Interior da Mesquita

Terminada a nossa presença naquela capital de Província, e antes de regressarmos ao Lugo, passamos uma vez mais por Lisboa, para deixar nossa mulher e matarmos saudades do nosso filho.

OBSERVAÇÕES

Julgo que este acontecimento de que fui protagonista pouco interessará aos meus amigos bloguistas do " ", mas como grande parte deles me pediram com tanta insistência para que escreve-se mais um Post, atrevo-me a apresentar um tema que me é querido e que, sinceramente, gostaria de ver partilhado ao vivo por todos.

Se foi incómodo, creiam que não escrevi este artigo para vos incomodar.

                                                                     

                                                              

sinto-me: A BAILAR
música: fLAMENCO
publicado por PIQUITÁ às 00:31
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1 comentário:
De Antonio Silva a 16 de Março de 2007 às 19:55
Gostei bastante dos comentários. Revelam uma faceta de escrita bastante boa. É interessante o tema, bem escrito e convidativo. Penso no entanto existirem algumas imprecisões. Em primeiro lugar segundo li Spinola vem do árabe Es'Sh'inwolla não sendo de origem italiana. As fotos estão miseráveis e fazem perder o texto. A cor preta estraga tudo. De resto tudo bem, gosto da forma encapotada como algumas coisas são apresentadas: "não nos deixaram satisfazer os nossos desejos". Hum, isso e ser caçador tem pano para mangas. Seria interessant conhecer a sua opinião entre a caça e o amor ao "igual".

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